Vintismo: Combates pela memória

Vintismo: Struggles for memory

Manuel Quitéria
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

A Revolução de 1820 marcou o começo de um período de mudanças políticas em Portugal. Esta procurou romper com o seu passado próximo, dominado pelos ideais de Antigo Regime. Apesar de inicialmente apoiada por uma grande falange da população, rapidamente se começaram a vislumbrar sinais de descontentamento para com a governação vintista – alguns demonstrados de forma camaleónica –, colocando em campos distintos defensores e opositores ao novo regime. Desde cedo, ambas as facções se aperceberam da importância da memória para o controlo da opinião pública, dando início a um verdadeiro combate pela memória. Com isso em mente, desenvolveram-se narrativas memoriais próprias, cuja construção avançava à velocidade dos acontecimentos políticos onde se procurou glorificar os seus feitos em detrimento da facção oposta, muitas vezes comparando-se aos principais acontecimentos da história nacional. Pretendeu-se, desta forma, obter uma maior mobilização popular em torno da sua causa, assim como a própria legitimação das suas acções políticas. Abrangendo o período temporal de 1820 a 1834, a nossa intervenção focar-se-á na construção da memória imediata e de curto prazo do vintismo por parte das figuras políticas da época, regendo-se pelas seguintes problemáticas: Que memórias do vintismo se construíram? Quais os espaços de combate pela memória? Que estratégias memoriais se utilizaram e quais os seus propósitos?

Palavras-chave:

Vintismo, Memória, Revolução, Contra-revolução


The 1820 revolution marked the beggining of a períod of polítical changes in Portugal. It sought to break through with his near past, dominated by the Ancien Regime ideals. Although inittialy being widely supported by the population, signs of disagreements towards the vintista governance quickly began to be felt – some of them in a chameleonical way -, putting on distinct sides supporters and critics of the new regime. Soon, both factions realized the importance of memory for the control of public opinion, starting a truly memorial dispute. Considering that, their own memorial narratives developed at the pace of political events, with the purpose of glorifying their own achievements opposed to the ones of the rival faction, many times comparing their own accomplishments with major events of nacional history. This intended to achieve a greater popular mobilization around its cause, as well as it pretended to legitimate their political actions. Covering the period since 1820 to 1834, our intervention will be focused on the construction of immediate and short-term memory of vintismo by its political figures, guided by the following questions: What kind of memories of vintismo were constructed? Where did memory disputes took place? What memorial strategies where used and what were their purposes?

Keywords:

Vintismo, Memory, Revolution, Counter-revolution