Proscénios triunfais: As arquiteturas efémeras celebrativas da Revolução Liberal de 1820

Triumphal prosceniums: The ephemeral celebratory architectures of the Liberal Revolution of 1820

Milton Pedro Dias Pacheco
CHAM – Centro de Humanidades da Universidade Nova de Lisboa e Universidade dos Açores | Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Eclodido o movimento revolucionário liberal, em Agosto de 1820, muitas foram as instituições nacionais, com predomínio para as municipais, a erguer monumentos celebrativos destinados a assinalar os acontecimentos em curso que culminariam com a fundação da primeira Monarquia Constitucional em Portugal. Numa dispersa geografia territorial continental, não confinada ou delimitada pelo itinerário principal percorrido pelos militares sublevados, entre as cidades do Porto e de Lisboa, foram edificadas diversas estruturas arquitetónicas destinadas a servir de cenários privilegiados às festividades cívicas de apoio político. Maioritariamente compostas por arcos triunfais, as composições arquitetónicas foram erguidas nas áreas urbanas mais nobres das cidades e vilas do Reino, em grande proximidade com os principais edifícios institucionais responsáveis pela sua promoção. As efémeras estruturas dos arcos triunfais, construídas essencialmente com materiais pouco duradouros porque destinados a perdurar por breves períodos de tempo, foram adornadas com múltiplos elementos figurativos e componentes alegóricos, por vezes acompanhados de textos laudatórios, concebidos em conformidade para enaltecer as principais personalidades envolvidas na revolução. Na maioria dos arcos identificados, como o que foi edificado no Rossio de Lisboa para receber os membros da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino em 1 de Outubro de 1820, ganhou destaque a figura do monarca D. João VI. A proposta de apresentação visa delimitar a geografia das festividades cívicas, públicas e coletivas, promovidas pelas edilidades de modo a identificar e a contextualizar os arcos triunfais celebrativos erguidos um pouco por todo o Reino a partir de Agosto de 1820. Em seguida pretende-se analisar os arquétipos das estruturas arquitetónicas e dos elementos ornamentais, descodificar os conteúdos alegóricos e figurativos e comentar os textos encomiásticos compostos e dispostos em uníssono de modo a exaltar e a propagar os princípios ideológicos do regime liberal.

Palavras-chave:

Regime liberal, Arquitetura efémera celebrativa, Arcos triunfais, Figurações alegóricas políticas, Festividades públicas oitocentistas


Once the liberal revolutionary movement broke out in August 1820, several national institutions, with a predominance of municipal ones, erected celebratory monuments designed to point out the on-going events that would culminate with the foundation of the first Constitutional Monarchy in Portugal. In a dispersed continental territorial geography, not confined or delimited by the main itinerary followed by the insurgent militaries, between the cities of Porto and Lisbon, several architectural structures were built to serve as privileged sets for the civic festivities of political support.

Mostly composed of triumphal arches, the architectural compositions were built in the noblest urban areas of the cities and towns of the Kingdom, in close proximity to the main institutional buildings responsible for their promotion. The triumphal arch structures, built with ephemeral materials and for a brief period of time, were adorned with multiple figurative elements and allegorical components, sometimes accompanied by laudatory texts designed to enhance the leading personalities involved in the events. In most of all, such as the arch built at the Rossio of Lisboa to receive the Provisional Board of the Supreme Kingdom Government members on October 1st, 1820, the figure of D. João VI stood out. The presentation proposal aims to delineate the geography of the public and collective civic festivities, promoted in order to identify and contextualize the celebratory triumphal arches erected throughout the Kingdom after August 1820. Afterwards we intend to analyse the architectural structures archetypes and ornamental elements, to decode the allegorical and figurative contents and to comment the encomiastic texts arranged and composed in unison in order to exalt and propagate the ideological principles of the liberal regime.

Keywords:

Liberal regime, Ephemeral celebratory architecture, Triumphal arches, Allegorical political figures, Nineteenth century public festivities