Percursos pessoais e posições políticas em 1820; como os agentes da cultura impressa portuguesa viveram os anos revolucionários

Personal experiences and political positions in 1820; how the agents of Portuguese print culture lived through the revolutionary years

Cláudio DeNipoti
Departamento de História – Universidade Estadual de Londrina

A tradição historiográfica construiu relações entre as biografias dos principais personagens participantes dos eventos a partir de 1820 no mundo luso-brasileiro e esses próprios eventos, dando ênfase às particularidades biográficas e/ou às relações sociais, econômicas e culturais mais amplas, em jogos de escalas variados. Porém, como foram as tomadas de posição políticas em 1820, por parte de personagens nas margens dos acontecimentos? Quais elementos das formas políticas de pensamento em confronto no período podem ser vistos nas vidas de participantes (ainda que involuntários) dos eventos de 1820? Os estudos desenvolvidos na última década sobre agentes da palavra impressa – livreiros, editores, tradutores, censores e proprietários ou responsáveis por bibliotecas – podem fornecer algumas pistas sobre essas questões, em uma tentativa de uma “história vista de baixo” das tensões políticas vintistas. Em contraste com a vida e as ações de Marino Miguel Franzini, franca e abertamente comprometido com o movimento revolucionário liberal, nomes como o do livreiro Diogo Borel, acusado de promover “propaganda revolucionária” e de maçonaria, preso e enviado ao Brasil em 1810 para julgamento, e naturalizado português somente em 1821 (apesar de prometer fazê-lo à época de sua prisão), ou do matemático José Maria Dantas Pereira, defensor do absolutismo de D. João e D. Miguel, podem fornecer mais evidências sobre a relação entre formas de pensamento, ideias e vidas concretas.

Palavras-chave:

Cultura escrita, Participação política, Trajetórias de vida


The historiographical tradition built relationships between the biographies of the main characters participating in the events of the 1820’s in the Luso-Brazilian world and these events themselves, emphasizing the biographical particularities and/or the broader social, economic and cultural relations in a variety of games of scale. But how were the political positions taken in 1820 by characters on the fringes of events? What elements of the confrontational political forms of thought in the period can be seen in the lives of (albeit involuntary) participants in the 1820 events? Studies conducted over the past decade about agents of the printed word — booksellers, editors, translators, censors, and library owners — may provide some clues to these issues in an attempt to see a “history from below” of political tensions. In contrast to the life and actions of Marino Miguel Franzini, frankly and openly committed to the liberal revolutionary movement, names such as bookseller Diogo Borel, accused of promoting “revolutionary propaganda” and freemasonry, arrested and sent to Brazil in 1810 to and naturalized Portuguese only in 1821 (although he promises to do so at the time of his arrest), or mathematician José Maria Dantas Pereira, defender of the absolutism of D. João and D. Miguel, can provide further evidence on the relationship between ways of thinking, ideas and concrete lives.

Keywords:

Written culture, Political participation, Life trajectories