O primeiro Centenário da Revolução de 1820: imprensa, debate político e comemorações municipais em época de crise republicana

Centenary of the Revolution of 1820: press, political debate and municipal celebrations in the midst of the republican crisis

João Gabriel Caia
NOVA FCSH
Daniel Alves
Instituto de História Contemporânea, NOVA-FCSH

Desde a década de 1880 que o republicanismo cresceu usando as bandeiras do patriotismo e da memória histórica, entre outras temáticas. As comemorações do centenário de Camões foram nesse sentido um marco, mas também o  foi a apropriação da memória da Revolução Liberal, de que o livro de José de Arriaga constituiu apenas um testemunho. Precisamente sobre esta última perspectiva, a historiografia portuguesa tem destacado uma narrativa republicana que olhou para 1820 como prova de força do espírito do povo português, uma narrativa que parece ter recuperado o vintismo para legitimar o regime republicano. Essa apropriação aconteceu também pela incapacidade ou inabilidade do regime monárquico em fazer suas as memórias da revolução fundadora do constitucionalismo. Em 1920, numa época de recuperação da crise da Primeira Guerra Mundial e no seio de uma profunda instabilidade política, económica e social, o centenário do vintismo não foi esquecido e levou a um conjunto de iniciativas oficiais, quer no Parlamento, quer nas câmaras municipais, acompanhadas de intervenções na imprensa. Agora no segundo centenário, cremos ser útil regressar a esse momento e procurar interrogar se terá sido o retomar dessa memória apenas um prolongamento do sentimento patriótico da era da propaganda, uma mera formalidade comemorativa ou encarado como a oportunidade para uma “segunda fundação” do regime republicano?

Palavras-chave:

Memória da Revolução de 1820, Centenário do Vintismo, Crise Republicana, Comemorações republicanas


Republicanism has increased since 1880 using patriotism and historical memory as main flags. The celebrations of Camões centenary was, in that sense, a mark, as it was a use of the memory of Liberal Revolution, that José de Arriaga book is only one of many evidences. Precisely about this last point of view, the Portuguese historiography has been stressed out the way the republican literature looked to 1820 as a landmark of the spiritual strength of Portuguese people. This use also occurred because of the inability of the monarchy to make yours the memories of the revolution that founded constitutionalism. In 1920, a crisis recovery epoch of the First World War and in the midst of a severe political, economical and social instability, the vintism centenary was not forgotten, motivating some official initiatives by the Parliament and the municipalities, alongside interventions in the press. Now in the bicentenary, we believe useful to return to that moment so we can question what this use of the past was. If an extension of the patriotic feeling of the previous advertising era, if just another commemoration formality, or if it was instead used as an opportunity to a second foundation of the republican regime?

Keywords:

Memory of Revolution of 1820, Vintism centenary, Crisis of the Republican regime, Republican Commemorations