O ciclo revolucionário vintista no romance histórico da actualidade de Portugal e Espanha

The revolutionary cycle of 1820 in the current historical novel of Portugal and Spain

Beatriz Peralta García
Departamento de Filología Clásica y Románica, Facultad de Filosofía y Letras – Universidad de Oviedo

A nossa proposta de comunicação visa avaliar os impactos das respectivas revoluções liberais de Portugal e Espanha de 1820 do outro lado da fronteira a partir da leitura dos romances históricos que abordaram este período revolucionário que finaliza em 1823. O romance histórico foi, no século XIX, uns dos instrumentos de difusão dos acontecimentos históricos. A vertente de actualidade — que se desenvolve em paralelo com o romance histórico medieval — divulgou entre os contemporâneos o passado recente, ou seja, aqueles episódios da história pátria sucedidos havia relativamente poucos anos. É por este motivo que este tipo de relatos não foram considerados literários mas históricos. As revoluções de 1820 em Portugal e Espanha não constituiram, também não, nos respectivos países, um dos seus temas fortes, pois foram outros os acontecimentos objeto de preferência para os escritores, como a Guerra Peninsular, talvez pelo facto de apresentar a violação do territórico por um exército invasor. Este elemento é nele próprio motivo de reflexão. Paralelamente, e apesar de ambos os surtos revolucionários estarem estreitamente relacionados, os romances também não reflectem interesse nenhum pelo desenvolvimento dos acontecimentos no país vizinho, apresentando os acontecimentos de forma isolada e sem referências internacionais, ignorando, portanto, o surto revolucionário que se abatia pela Europa toda. Foram os seguintes: em Espanha, De Godoy á Sagasta (1876), de Nicasio Milá de la Roca; Jaime el barbudo ó Los bandicos de Crevillente (1868), de D. F. de Sales Mayo; y Los amores de una manola. (Memorias del tiempo de Fernando VII). Novela histórica (1890), de Enrique Fernández de Lara; enquanto que os romances portugueses para o mesmo período são O Testamento de Sangue (1872) e A Guerrilha de Frei Simão. Romance Histórico (1895), de Alberto Pimentel. No que diz respeito aos autores, é preciso ter em conta a geração à qual eles pertencem para avaliar se os acontecimentos narrados respondem à experiência vital do autor ou se lhe foram trasmitidos em virtude da memória dos antepassados. Paralelamente, as características do romance histórico da atualidade filiam-no em dois subtipos diferenciados: o romance histórico de pedagogia política, isto é, aquele que apresenta um discurso político, no geral liberal, ou a presença de notas destinadas a justificar a verdade do acontecido; e o romance histórico arqueológico, em que a sociedade liberal é a protagonista do relato.

Palavras-chave:

Romance histórico, Romance histórico da atualidade, Revolução de 1820, Espanha, Portugal, Liberalismo


Our communication proposal aims to assess the impacts of the respective liberal revolutions of Portugal and Spain of 1820 across the border from the reading of the historical novels that addressed this revolutionary period ending in 1823. The historical novel was, in the 19th century, one of the instruments for the dissemination of historical events. The current trend – which develops in parallel with the medieval historical novel – divulged the recent past among contemporaries, that is, those episodes of the homeland history that had happened relatively few years ago. It is for this reason that these types of reports were not considered literary but historical. The 1820 revolutions in Portugal and Spain did not constitute, either, in their respective countries, one of their strong themes, since other events were the object of preference for writers, such as the Peninsular War, perhaps because of the violation of the territory by an invading army. This element is itself a reason for reflection. At the same time, despite the fact that both revolutionary outbreaks are closely related, the novels also do not reflect any interest in the development of events in the neighboring country, presenting events in isolation and without international references, ignoring, therefore, the revolutionary outbreak that was abating throughout Europe. They were as follows: in Spain, De Godoy á Sagasta (1876), by Nicasio Milá de la Roca; Jaime el barbudo ó Los bandicos de Crevillente (1868), by D. F. de Sales Mayo; and Los amores de una manola. (Memorias del tiempo de Fernando VII). Historical novel (1890), by Enrique Fernández de Lara; while the Portuguese novels for the same period are O Testamento de Sangue (1872) and A Guerrilha de Frei Simão. Historical Romance (1895), by Alberto Pimentel. With regard to the authors, it is necessary to take into account the generation to which they belong to assess whether the events narrated respond to the author’s vital experience or whether they were transmitted to him due to the memory of his ancestors. At the same time, the characteristics of the current historical novel join it in two different subtypes: the historical novel of political pedagogy, that is, the one that presents a political discourse, generally liberal, or the presence of notes intended to justify the truth of what happened; and the archaeological historical novel, in which liberal society is the protagonist of the story.

Keywords:

Historical romance, Historical novel of today, Revolution of 1820, Spain, Portugal, Liberalism