Noções da Revolução nos periódicos servis durante as Cortes de Cádis (1811-1814)

Notions of Revolution in servils pappers between Cádiz Cortes (1811-1814)

Bruno Santos Sobrinho
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Universidade de São Paulo

As revoluções de 1820 foram profundamente importantes para a história política das monarquias ibéricas. É inegável a influência que experiências constitucionais anteriores tiveram sobre os eventos inaugurados a partir da década de 20 do século XIX. No caso hispânico, o Triênio Liberal é apontado como uma retomada de um projeto anterior de modernização política, iniciado em 1808 e posto em prática a partir de 1812, com a promulgação da Constituição de Cádis. Essa apresentação tem como objetivo retomar o período gaditano. Propõe-se discutir os eventos relacionados aos anos de formulação e permanência da Constituição de Cádis, isto é, de 1812 até 1814. Busca-se abordar, a partir da análise de dois periódicos vistos como “servis”, como os termos “Revolução” e “revolucionário” foram utilizados ao longo de 1811 a 1814, período de vigência das Cortes e da Constituição de Cádis. Os “servis” são apontados como as alas mais resistentes aos projetos de inovação política propostos pelos liberais durante aquele período. Ademais, a análise de fontes de opinião pública possibilita acessar a dinâmica política do período, a partir do estudo do discurso feito pelos protagonistas que buscavam indicar formas de interpretar o momento, bem como interferir diretamente naquela realidade política. Defende-se que o uso dos termos nos dois periódicos esteve marcado por uma retórica de combate às transformações apresentadas pelos liberais, inimigos diretos dos servis no campo político. Em outras palavras, busca-se entender como tais termos foram empregados pelas alas contrarrevolucionárias, opositoras ao novo regime que se desenhava naquele período, marcado, sobretudo, pelo protagonismo dos liberais na agenda de debates das Cortes e da imprensa. Simultaneamente, um dos termos discutidos na apresentação foi usado nos periódicos servis para fazer referência à resistência espanhola contra os franceses durante a ocupação napoleônica. A partir da análise, argumenta-se que a utilização dos termos pelos servis se deu de maneira dinâmica, com significados variáveis, que mudavam segundo as circunstâncias políticas decorrentes dos embates do período. Reforça-se, dessa forma, as rupturas e distinções presentes no interior do grupo servil, mas também do processo de modernização pelo qual passava a Espanha desde os eventos de 1808. Diante das conclusões expostas, é possível questionar como os termos foram retomados pelo mesmo grupo em outras esferas do debate político, bem como a forma em que se deu seu uso em outras ocasiões, especialmente em 1820, quando os movimentos revolucionários, ainda que profundamente contestadores, foram marcados por expressiva moderação em sua linguagem política.

Palavras-chave:

Cortes de Cádis, Contrarrevolução, Opinião pública, Liberalismo


The revolutions of 1820 were profoundly important for the political history of Iberian monarchies. It is undeniable the influence that previous constitutional experiences had on events inaugurated after the 1820s. In the Hispanic case, the Liberal Triennium is seen as a resumption of a previous project of political modernization, initiated in 1808 and put into practice from 1812, with the promulgation of the Cadiz Constitution. This presentation aims to discuss the Gaditan period. It is proposed to address the events related to the years of formulation and permanence of the Cadiz Constitution, that is, from 1812 to 1814. It seeks to approach, from the analysis of two periodicals seen as “servils”, as the terms “Revolution” and “revolutionary” were used throughout 1811 to 1814, the period of validity of the Cortes and the Constitution of Cadiz. The “servils” are identified as the most resistant wings to the political innovation projects proposed by the liberals during that period. Furthermore, the analysis of sources of public opinion makes it possible to access the political dynamics of the period, based on the study of the discourse made by the protagonists who sought to indicate ways of interpreting the moment, as well as directly interfering in that political reality. It is argued that the use of terms in both periodicals was marked by a rhetoric to combat the transformations presented by the liberals, direct enemies of servils in the political field. In other words, it seeks to understand how such terms were used by the counter-revolutionary wings, opposed to the new regime that was being drawn up at that time, marked, above all, by the protagonism of the liberals in the debate agenda of the Cortes and the press. At the same time, one of the terms discussed in the presentation was used in servils periodicals to refer to Spanish resistance against the French during the Napoleonic occupation. From the analysis, it is argued that the use of the terms by the servils took place in a dynamic way, with variable meanings, which changed according to the political circumstances resulting from the clashes of the period. In this way, the ruptures and distinctions present within the servile group are reinforced, as well as the modernization process that Spain was going through since the events of 1808. In view of the conclusions presented, it is possible to question how the terms were taken up by the same group in other spheres of the political debate, as well as the way in which they were used on other occasions, especially in 1820, when the revolutionary movements, although deeply contesting, were marked by expressive moderation in their political language.

Keywords:

Cádiz courts, Counter-revolution, Public opinion, Liberalism