Memórias do vintismo e historiografia luso-brasileira

Memories of Vintismo and the Luso-Brazilian historiography

Lucia Maria Paschoal Guimarães
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

A Revolução Liberal de 1820 constitui um marco na história do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A proposta de regeneração política, que a princípio foi saudada no Brasil como prenúncio de novos tempos de liberdade e luzes, recebeu a adesão das províncias do Pará e da Bahia. No Rio de Janeiro, as manifestações de apoio à revolução e convocação das Cortes, em fevereiro de 1821, exigiram que o Rei D. João VI jurasse antecipadamente a Constituição, o que se efetivou, seguido do seu regresso para Portugal, permanecendo o Príncipe D. Pedro como Regente do Reino do Brasil. Os desdobramentos do movimento revolucionário e a atividade das Cortes de 1821-22, contudo, acabariam por cindir o Reino Unido, culminando com a independência do Brasil. A sucessão dos eventos de um e de outro lado do Atlântico ensejou ao aparecimento de análises memoriais, que se prestavam a interpretações variadas, consoante o posicionamento político e as expectativas dos respectivos autores. Tais narrativas converteram-se em modelos explicativos que ainda hoje influenciam a historiografia luso-brasileira. A comunicação pretende examinar essas matrizes interpretativas, apontando convergências e confrontos, por meio da comparação entre os escritos de dois publicistas que vivenciaram as experiências do Vintismo: o brasileiro José da Silva Lisboa (1756-1835) e o português José Liberato Freire de Carvalho (1772-1855).

Palavras-chave:

Revolução de 1820, Memória e História, Historiografia luso-brasileira, Linhagens interpretativas


The Liberal Revolution of 1820 is a turning point in the history of the United Kingdom of Portugal, Brazil and the Algarves. The proposal for political regeneration, at first recognized in Brazil as a new time of freedom and light, received the immediate adhesion of the Pará and Bahia provinces. In Rio de Janeiro, manifestations supporting the revolution and the calling for the Courts in February 1821, demanded King D. João VI to swear the Constitution in advance, which had become effective, and followed by his return to Portugal while Prince D. Pedro remained as the Kingdom regent in Brazil. However, the consequences of the revolutionary movement and the Court activities in 1821- 22 ended up splitting the Kingdom, consequently with Brazil becoming independent. On Atlantic’s both sides the succession of events has given rise memorial analyzes which lent to varying interpretations, according to the political position and expectations of the respective authors. Such narratives have become explanatory models that still influence the Luso-Brazilian historiography. The paper intends to examine some of these interpretative matrices pointing convergences and confrontations, by comparing the writings of two publicists who lived the Vintismo’s experiences: the Brazilian José da Silva Lisboa (1756-1835) and the Portuguese Jose Liberato Freire de Carvalho (1772-1855).

Keywords:

Revolution of 1820, Memory and History, Luso-Brazilian Historiography, Interpretative matrices