General Claudino Pimentel (1776-1831) – Um liberal nos caminhos da glória e do infortúnio

General Claudino Pimentel (1776-1831) – A liberal in the paths of glory and misfortune

Adília Fernandes
CITCEM – UPorto

António José Claudino de Oliveira Pimentel, natural de Torre de Moncorvo, era filho de João Carlos de Oliveira Pimentel, capitão-mor e membro de uma das Juntas formadas em 1808, na província de Trás-os-Montes, e tio de Júlio Máximo de Oliveira Pimentel, 2.º Visconde de Vila Maior, figura notável da cultura portuguesa do século XIX. Claudino Pimentel iniciou a vida militar na Cavalaria, em 1793. Transitou para a Marinha e, daqui, para a Infantaria. Participou nas campanhas do Rossilhão e da Catalunha, no bloqueio naval inglês à marinha francesa e na defesa das fronteiras do Rio Grande do Sul, atacadas pelos espanhóis. Em Portugal, lutou contra os invasores franceses, em particular, enquanto comandante das forças que operaram na província transmontana. Em 1815, seguiu para o Brasil, antecipando a ocupação de Montevideu, onde, em 1820, fez o pronunciamento militar a favor da Constituição. A partir de 1823, já como general, combateu as investidas aos governos liberais, como exímio estratega e liberal convicto. A vitória alcançada na batalha de Coruche, em janeiro de 1827, coroou a carreira de Claudino Pimentel. Demitido do comando da sua Divisão, afirmou-se como parlamentar no seio de uma elite constitucional transmontana influente, ao lado de Bernardo Sepúlveda, Manuel Gonçalves de Miranda e abade de Medrões, entre outros. Nesta qualidade, requereu uma dura punição para os que conspiravam contra a carta constitucional. Proclamado deputado pela província de Trás-os-Montes, ainda neste ano, apresentou um projeto de lei marcial, semelhante à que as cortes vintistas aprovaram. Durante os cerca de dois meses que se seguiram até à queda do regime constitucional, a defesa de Trás-os-Montes manteve-se sob a drástica repressão de Claudino Pimentel, enquanto governador militar da província. Fruto de imponderáveis desígnios políticos, teve um fim trágico. Preso na Cadeia da Relação do Porto, aqui morreu. Foi sepultado, sem honras militares, na Igreja de São Lourenço, ou Igreja dos Grilos, nesta cidade, em campa cuja identificação não se vislumbra. Torre de Moncorvo consagrou o seu legado, que atravessou as convulsões da guerra civil entre liberais e absolutistas, atribuindo o nome General Claudino Pimentel ao espaço mais nobre da vila – o largo que enquadra a Igreja Matriz e o solar onde nasceu. Simboliza, ainda, o firme apoio da família Oliveira Pimentel ao estabelecimento do liberalismo na província.

Palavras-chave:

General Claudino Pimentel, Liberal, Trás-os-Montes, Montevideu, Batalha de Coruche, Parlamentar


António José Claudino de Oliveira Pimentel, was born at Torre de Moncorvo and was son of João Carlos de Oliveira Pimentel, capitão-mor and member of one Juntas that were formed in 1808 at the province of Trás-os-Montes, being uncle of Julio Máximo de Oliveira Pimentel, 2nd Viscount of Vila Maior, a notable figure of the 19th century portuguese culture. Claudino Pimentel began his military life in the Cavalry in 1793. He moved to the Navy and from this to the Infantry. He participated in the campaigns of the Rossilion and Catalonia, in the English naval blockade of the French Navy and in the defence of Rio Grande do Sul borders, attacked by the spaniards. In Portugal, he fought against the French invaders, in particular, as commander of the forces operating in the tr Trás-os-Montes province. In 1815, he went to Brazil, anticipating the occupation of Montevideo, where, in 1820, he made a military pronouncement in favour of the Constitution. From 1823, already as a general, he fought the attacks against liberal governments, as an expert strategist and a convinced liberal. The victory achieved at the Battle of Coruche in January 1827 crowned Claudino Pimentel’s career. Dismissed from command of his division, he asserted himself as a parliamentarian within an influential Trás-os-Montes constitutional elite, along with Bernardo Sepúlveda, Manuel Gonçalves de Miranda and abbot of Medrões, among others. In these functions, he demanded a severe punishment for those who conspired against the Constitutional Chart. Proclaimed deputy by the province of Trás-os-Montes, still in that year, he presented a martial bill, similar to the one that the vintistas courts had approved. For the two months, or so, that followed the fall of the constitutional regime, the defense of Trás-os-Montes remained under the drastic repression from Claudino Pimentel, as military governor of the province. Fruit of imponderable political designs, it had a tragic end. He was imprisioned in the Cadeia da Relação of Porto, where he died. He was buried, without military honours, in the Church of São Lourenço, or Church of the Grilos, in this city, in a grave which identification is not visible. Torre de Moncorvo has consecrated his legacy, who went through the civil war upheavals between liberals and absolutists, giving the name General Claudino Pimentel to the noblest space of the village – the square that frames the Main Church and the manor where he was born. It also symbolizes the Oliveira Pimentel family’s firm support for the establishment of liberalism in the Trás-os-Montes province.

Keywords:

General Claudino Pimentel, Liberal, Trás-os-Montes, Montevideu, Battle of Coruche, Parliamentarian