A evocação do centenário da revolução de 1820 no arquipélago dos Açores

Susana Serpa Silva
FCSH – Universidade dos Açores. CHAM – Centro de Humanidades – Universidade Nova de Lisboa/Universidade dos Açores

Desde tempos ancestrais, a evocação de grandes feitos e acontecimentos históricos concitou o ensejo de organizar celebrações, de diferente natureza, de modo a enaltecer determinadas figuras e factos e a perpetuá-los na memória colectiva. No Portugal continental e insular de oitocentos, a comemoração de diferentes centenários assumiu, por vezes, um significado ideológico e político, para além da preocupação em preservar a dimensão histórica, cultural e simbólica do acontecimento. No século XX, em plena Primeira República, estas celebrações persistiram e o centenário da Revolução de 1820 assumiu uma considerável importância, atentas as similitudes de alguns princípios que sustentaram a acção dos liberais e, posteriormente, a dos republicanos. Com esta comunicação pretende-se não apenas conhecer como decorreu esta evocação nos três distritos do arquipélago dos Açores e que iniciativas foram concretizadas, mas também compreender e interpretar os discursos e as ideias relativamente a uma revolução que mudou o rumo da Monarquia portuguesa. Para atingir estes objectivos, iremos destacar duas proeminentes figuras açorianas (Teófilo Braga e Manuel de Arriaga) e assumir como metodologia principal a análise da imprensa regional, em particular, os mais emblemáticos jornais de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta.


Since ancient times, the evocation of great historical events has given rise to organizing celebrations of different nature in order to enhance some figures and facts and to perpetuate them in collective memory. In Portugal, both on the mainland and on the islands, during the 19th century, the commemoration of different centenarians sometimes assumed an ideological and political significance, besides the concern to preserve the historical, cultural and symbolic dimension of the event. In the 20th century, during the First Republic, these celebrations persisted and the centenary of the 1820’ Revolution assumed considerable importance given the similarities of some principles that sustained the action of liberals and, later, the action of republicans. This communication aims to know how this evocation took place in the three Districts of the Azores archipelago and what initiatives were implemented, but also aims to understand  and to interpret the discourses and ideas regarding a revolution that changed the course of the Portuguese Monarchy. To achieve these objectives we will highlight two prominent Azorean figures (Teófilo Braga and Manuel de Arriaga) and take on as main methodology the analysis of the local press, in particular, the most emblematic newspapers of Ponta Delgada, Angra do Heroísmo and Horta.