Entre as Cortes Vintistas e a Contra-revolução Absolutista: o Liberalismo Moderado de Manuel Inácio Martins Pamplona, Conde de Subserra (1820-1828)

Between the Liberal Assembly and the Absolutist Counterrevolution: the Moderate Liberalism of Manuel Inácio Martins Pamplona, Count of Subserra (1820-1828)

Luís Henriques
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Manuel Inácio Martins Pamplona Corte-Real (1760-1832), 1º Conde de Subserra (1823), foi um militar e político português. Tendo obedecido às ordens de Napoleão, seguiu a Legião Portuguesa nas guerras europeias do Imperador e entrou em Portugal com o General Massena em 1810. Condenado à morte como traidor, procurou, desde a queda de Napoleão e a restauração de Luís XVIII, que como militar serviu, a reabilitação e a reintegração na sociedade portuguesa. Tendo escrito uma justificação dos seus actos nas guerras napoleónicas, foi amnistiado pelo novo regime liberal, saído da revolução de 1820. De regresso a Portugal, foi eleito deputado às Cortes Constituintes (1821). Era um liberal moderado, o que já evidenciara como publicista político no Contemporaneo Politico e Literario (1820). Assim, durante a contra-revolução de 1823 (Vila-Francada), ficaram evidentes tanto a sua desafeição às Cortes como aos Absolutistas. Em alternativa, procurou que o Poder fosse devolvido ao Rei D. João VI, na esperança da criação de um regime liberal mas moderado. Como Ministro (1823-1825), assistiu à impossibilidade da outorga de uma constituição a Portugal, quer devido à agressividade do partido absolutista, quer devido ao perigo de uma intervenção de Espanha, na sequência da neutralização do liberalismo espanhol por Fernando VII. Viu, depois da morte de D. João VI, a outorga da Carta por D. Pedro IV e a sua abolição pela usurpação de D. Miguel (1828). Perseguido pelos absolutistas, Subserra morreu na prisão. Nesta comunicação, através da figura de Martins Pamplona, procuro caracterizar uma corrente de centrismo liberal, que preferiu que a alteração do regime decorresse do Rei do que de uma assembleia popular e revolucionária.

Palavras-chave:

Subserra, Vintismo, Liberalismo moderado


Manuel Inácio Martins Pamplona Corte-Real (1760-1832), 1st Count of Subserra (1823), was a portuguese military and politician. Having followed Napoleon’s orders, he entered the Emperor’s european wars with the Portuguese Legion and invaded Portugal with General Massena in 1810. Sentenced to death as a traitor, since the fall of Napoleon and the restoration of Louis XVIII, whom he served as a military, he sought his rehabilitation and reintegration in the portuguese society. Having written a justification of his actions in the napoleonic wars, he was pardoned by the new liberal regime that came out of the 1820 revolution. Upon his return, he was elected deputy of the constituent assembly (1821). He was a moderate liberal, which he had already shown as a political journalist in the Contemporaneo Politico e Literario (1820). Therefore, his disaffection both towards the Courts and the Absolutists during the 1823 counterrevolutionary coup (Vila-Francada) became clear. He sought alternatively to get the Power back to King João VI, in the hope of the creation of a liberal but moderate regime. As a minister (1823-1825), he saw the impossibility to give Portugal a Constitution, both because of the aggressiveness of the absolutist party and a possible spanish intervention, given the overcoming of the spanish liberalism by Fernando VII. After João VI died, he saw the bestowal of a Constitution by Pedro IV and its abolition at the time of King Miguel’s usurpation. Pesercuted by the absolutists, Subserra died in prison. In this paper, through Martins Pamplona, I seek to characterize a liberal and centrist political trend, in which a regime shift should have its origin in the King rather than in a popular and revolutionary assembly.

Keywords:

Subserra, Vintismo, Moderate liberalism