Conservador, Contra-revolucionário… Miguelista? O ideário político do Visconde de Santarém (1819-1834)

Conservative, Counter-Revolutionary… Miguelist? Viscount of Santarém’s Ideology (1819-1834)

Daniel Estudante Protásio
Centro de História da Universidade de Lisboa e Ceis20 da Universidade de Coimbra

Nos 15 anos que distam do anúncio da publicação de O Campeão Português, ou o Amigo do Rei e do Povo, de José Liberato até à convenção de Évora-Monte, o Visconde de Santarém interveio na realidade política portuguesa. Fê-lo a propósito de temáticas estruturantes da época como a censura à imprensa no exílio, o bloqueio contra-revolucionário europeu ao regime vintista, a imposição da reunião de cortes em 1828 e o reconhecimento diplomático da realeza de D. Miguel. Produtor de uma das mais extensas documentações impressas, conhecidas, enquanto ministro de D. Miguel, autor do Manifesto de Sua Majestade Fidelíssima de 1832, torna-se importante definir algumas características do seu ideário, para melhor conhecimento desta fase da história contemporânea de Portugal. O conservadorismo monárquico, ao serviço das duas dinastias desavindas, é uma constante do seu percurso ideológico. A contra-revolução, um ideal dos anos de 1820 a 1834. Mas… e o Miguelismo? Cavalga em direcção a Santarém aquando da Vila- Francada. Chefia a Torre do Tombo e publica documentação para convocação das cortes tradicionais. A coalização anti-saldanhista das Archotadas tem no ministro do Reino Visconde de Santarém um feroz estratega. É duvidoso que tivesse aceite D. Miguel sem as cortes de Lisboa. Abandona a causa em 1834. Importa fazer o estado da arte destas sequências, para melhor entender de que forma mobilizou e polarizou o processo político contra-revolucionário e influenciou a opinião pública internacional.

Palavras-chave:

Contra-Revolução, Conservadorismo, Miguelismo, Visconde de Santarém


In the fifteen years between the announcement of the publication of O Campeão Português, ou o Amigo do Rei e do Povo, by José Liberato, until Évora-Monte’s Convention, Viscount of Santarém intervened in Portuguese political reality. Exiled press censure, european counter-revolution blockage to Vintista regime, imposition of the gathering of Cortes in 1828, D. Miguel’s royalty diplomatical recognition: those were some of the structural themes he wrote or acted about. One of the most prolific ministers of D. Miguel, producing large quantities of known printed documentation, author of Manifesto de Sua Majestade Fidelíssima (1832), it’s important to define some characteristics of his political convictions, in order to better know this phase of contemporary history of Portugal. Monarchical conservatism, serving both Portuguese dinasties before and after the civil war, is a constant of his ideological path.

Counter-revolution, an ideal of his in 1820-1834. But… what about Miguelism? He rides towards Santarém during Vila- Francada. Is in charge of Torre do Tombo archive and publishes documents explaining how to summon the traditional Cortes. The coalition united against Saldanha, during the Archotadas’ events (1827), has in the Interior Minister Viscount of Santarém a fierce strategist. It is doubtful that he would have accepted D. Miguel without the gathering of Lisbon’s Cortes (1828). He leaves the cause in 1834. It’s of considerable importance to do the state of the art of this historical sequences, to better understand the way Viscount of Santarém mobilized and polarized the counter-revolutionary political process and influenced the international public opinion.

Keywords:

Counter-revolution, Conservatism, Miguelism, Viscount of Santarém