A Sociedade Literária Patriótica de Lisboa (1820-1823) – contributos para a cultura política do Vintismo

The Sociedade Literária Patriótica de Lisboa (1820-1823) – contributions to the political culture of Vintismo

Diana Tavares da Silva
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

A formação de Sociedades Patrióticas em Portugal remete para o triénio liberal (1820 a 1823), período durante o qual se terão edificado cerca de dezoito, distribuídas por Lisboa (que concentra o maior número), Porto, Coimbra, Setúbal, Santarém, Covilhã, Alfândega da Fé, Faro, Funchal e Angra. Destinadas a proporcionar ao país espaços onde os cidadãos pudessem, face à magnitude do momento histórico que atravessavam, refletir, conversar e deliberar sobre os acontecimentos que atingiam Portugal no rescaldo da revolução de agosto de 1820, as Sociedades Patrióticas nascem, fundamentalmente, para proteger e auxiliar o movimento liberal no seu complexo processo de radicação. Orientadas sob propósitos, por um lado, claramente instrutivos, de entre os quais ressaltam a consciencialização para a importância da mobilização política, da educação cívica, da sociabilidade intelectual e da defesa dos ideais liberais e, por outro lado, manifestamente pragmáticos, como a vigilância da atuação dos homens e das instituições ligados ao regime recém instaurado e, simultaneamente, daqueles que, repudiando-o, conspiravam o seu fim, as Sociedades Patrióticas são, muitas vezes, tidas como o pulso da Revolução. De todas as Sociedades Patrióticas quantas Portugal conheceu no período pós-revolução, a Sociedade Literária Patriótica de Lisboa, estabelecida em Lisboa a 2 de janeiro de 1822, foi a que reuniu maior número de sócios (cerca de 269 nomes, dos quais constam conhecidas personalidades da vida política portuguesa, tais como Carlos Morato Roma, Francisco Morais Pessanha, João Guilherme Ratcliff, José Portelli, José Liberato Freire de Carvalho, José Mouzinho da Silveira e Paulo Midosi). O seu dinamismo ideológico revela-se no jornal que fundou (do qual se recolhem aliás preciosas indicações de natureza política, económica, social, cultural e literária), nas sessões que promoveu e na reiterada manifestação pública de pareceres e posições acerca de variados eventos quotidianos da vida liberal portuguesa. Foi portanto intensa a campanha propagandística que empreendeu e empenhado o trabalhado dos seus sócios no enraizamento dos valores liberais. Refletir sobre a Sociedade Literária Patriótica de Lisboa é, no fundo, compreender o alcance da sociabilidade política do vintismo em íntima conexão com as vivências da Revolução e os valores liberais do Portugal Regenerado.

Palavras-chave:

Liberalismo, Vintismo, Sociedades Patrióticas, Sociabilidade política


The formation of Patriotic Societies in Portugal refers to the liberal triennium (1820-1823), a period during which around eighteen will have been built, distributed by Lisbon (which concentrates the largest number), Porto, Coimbra, Setúbal, Santarém, Covilhã, Alfândega da Fé, Faro, Funchal and Angra. Aimed at providing the country with spaces where citizens could, given the magnitude of the historical moment they were going through, reflect, talk and deliberate about the events that affected Portugal in the aftermath of the August 1820 revolution, the Patriotic Societies were born, fundamentally, to protect and assist the liberal movement in its complex process of rooting. Oriented for purposes, on the one hand, clearly instructive, among which they emphasize awareness of the importance of political mobilization, civic education, intellectual sociability and the defense of liberal ideals and, on the other hand, manifestly pragmatic, such as surveillance from the actions of men and institutions linked to the newly established regime and, at the same time, of those who, repudiating it, conspiring its end, Patriotic Societies are often seen as the pulse of the Revolution. Of all the Patriotic Societies that Portugal knew in the post-revolution period, the Sociedade Literária Patriótica de Lisboa, established in Lisbon on January 2, 1822, was the one that brought together the largest number of members (about 269 names, of whom there are known personalities Portuguese political life, such as Carlos Morato Roma, Francisco Morais Pessanha, João Guilherme Ratcliff, José Portelli, José Liberato Freire de Carvalho, José Mouzinho da Silveira and Paulo Midosi). His ideological dynamism is revealed in the newspaper he founded (from which precious pointers of a political, economic, social, cultural and literary nature are collected), in the sessions he promoted and in the repeated public manifestation of opinions and positions about various daily events of Portuguese liberal life. Therefore, the propaganda campaign that waged and engaged the work of its partners in the establishment of liberal values was intense. Reflecting on the Sociedade Literária Patriótica de Lisboa, in essence, understands the scope of the political sociability of Vintismo in close connection with the experiences of the Revolution and the liberal values of Regenerated Portugal.

Keywords:

Liberalism, Vintismo, Patriotic Societies, Political Sociability