Uma relação ambígua: os bispos de Portugal metropolitano e a revolução de 1920

An ambiguous relation: the bishops of the Portuguese mainland and the 1820 revolution

Paulo Alexandre Alves
IHC-NOVA/CEHR-UCP

A revolução liberal de 1820 veio marcar de forma vincada a cúpula dos cargos eclesiásticos em Portugal, à semelhança de muitas outras realidades da vida pública portuguesa. Com efeito, enquanto agentes de primeira ordem da esfera eclesial, os bispos tiveram que escolher entre ser a favor ou contra as mudanças que se verificaram no país e nas quais, também eles, assumiram protagonismo. Como se posicionaram os bispos titulares frente aos eventos revolucionários e de que modo usaram a sua autoridade episcopal para vincar este seu posicionamento? Que desajustes na função episcopal foram pressentidos e quais é que, efetivamente, ocorreram? Por outro lado, de que modo é que o triénio vintista ajudou a destacar protagonistas que, após o triunfo definitivo do liberalismo assumiram eles mesmos a prelatura diocesana? A presente comunicação pretende explorar o modo como reagiram os bispos de Portugal continental à revolução liberal e aos eventos do triénio vintista, procurando descortinar adesões, rejeições e atitudes ambíguas por parte dos mais altos representantes da Igreja Católica em Portugal. Refere ainda as transições associadas à função episcopal e às legitimidades que a ela estavam associadas. Do mesmo modo, analisa a presença de protagonistas que, posteriormente, assumiram alguma das mitras diocesanas, em ordem a perceber se a promoção episcopal pode, de algum modo, estar associada à adesão precoce ao ideário liberal.


Like many other Portuguese public realities, the 1820 liberal revolution has strikingly marked the apex of the ecclesiastical offices in Portugal. In effect, the bishops, being first grade agents of the Catholic Church as they were, had to choose between being for or against the changes that took place in the country, changes where they themselves were protagonists. How did the bishops in office positioned themselves in state of the revolutionary events and in which way have they used their authority as bishops to underline such a position? What maladjustments in the episcopal function were forecasted and which of them took place in effect? On the other hand, in which way the revolutionary years helped protagonists that, after the definitive triumph of liberalism, assumed themselves the head of a diocese? The present communication intends to explore the way in which the Portuguese mainland bishops reacted to the liberal revolution and to the events of the revolutionary years, devising adhesions, refusals and ambiguous attitudes amongst the highest representatives of the Catholic Church in Portugal. It also refers to the transitions associated to the episcopal function and the legitimacies that were associated to it. It analyzes, likewise, the presence of protagonists that, afterwards, assumed one of the dioceses, in order to understand if their episcopal promotion can, in one way or another, be associated to an early adhesion to liberalism.