Um exílio esquecido? Vintistas em França após 1823

A forgotten exile? Vintistas in France after 1823

Delphine Diaz
Université de Reims Champagne-Ardenne, France

Enquanto a produção historiográfica concentrou sua atenção na descrição e análise do exílio das centenas de Portugueses que chegaram à costa bretã em 1829 após o fracasso da expedição Terceira, os seus compatriotas que juntaram-se ao Reino de França durante a Restauração, logo após o fim do Triénio vintista (1820-1823), mas também durante o ministério Villèle, permaneceram em grande parte em segundo plano. Como Gregoire Bron observou, a maioria desses exilados liberais deslocados depois de 1823 pertenciam às elites, emigraram sozinhos e “por medo de uma sentença que na realidade raramente era pronunciada”. No entanto, após a sua partida, a monarquia absoluta não tolerou o seu regresso. Trata-se, portanto, de investigar este exílio eminentemente elitista e numericamente fraco. Com base nos arquivos policiais e cruzando este material com as publicações dos exilados vintistas portugueses, proponho-me estudar os seus itinerários em cidades francesas (em Paris, mas não só) e explorar as suas formas de sociabilidade bem como as modalidades de controlo a que foram sujeitos. Destacam-se algumas figuras proeminentes deste exílio português da década de 1820, como o ex-ministro Silvestre Pinheiro Ferreira ou Anselmo José Braancamp, que teve um papel importante na revolução de Lisboa em 1820 e se refugiou em França em 1823. Este grupo estritamente definido será reintegrado num contexto mais amplo, estudando os contactos que manteve com os exílios hispânico e brasileiro em Paris, na década de 1820, ou com os proscritos portugueses que viviam do outro lado do Canal da Mancha.

Palavras-chave:

Vintistas, Liberalismo, Exílio, Asilo


While the existing historiography has focused on describing and analyzing the exile of the hundreds of Portuguese who arrived on the French Breton coast in 1829, after the failure of the Terceira expedition, their compatriots who had preceded them by joining the Kingdom of France under the Restoration, immediately after the end of the Triénio vintista (1820-1823), but also throughout the Villèle ministry, remained largely in the background. As Grégoire Bron pointed out, most of these liberal exiles who left after 1823 came from the elites, emigrated alone and “for fear of a sentence that in reality was rarely pronounced”. However, after their departure, the absolute monarchy did not tolerate their return. My paper aims to investigate that eminently elitist and numerically small exile. Drawing on police records and crossing this material with the Portuguese exiles vintistas’ publications, I propose to study their itineraries in French cities (in Paris, but not only) and to explore their forms of sociability as well as the modalities of the control they were undergoing in France. Some the prominent figures from this Portuguese exile of the 1820s will be highlighted, such as the former minister Silvestre Pinheiro Ferreira or Anselmo José Braancamp who played an important part in the Lisbon revolution in 1820 and who took refuge in France in 1823. This narrowly defined group will be reintegrated into a broader environment, by studying the contacts it maintained with the Hispanic and Brazilian refugees in Paris in the 1820s or with the Portuguese exiles who lived on the other side of the Channel.

Keywords:

Vintistas, Liberalism, Exile, Asylum, France