Em torno de 1820: Interesses mercantis, economia e política

Jorge Miguel Pedreira
FCSH/UNL

Uma explicação fundamentalmente económica da Revolução de 1820 será inevitavelmente redutora. Não obstante, a par de várias outras dimensões (políticas, militares, ideológicas, culturais, financeiras e propriamente sociais), os problemas económicos, tanto enquanto constrangimentos à acção, como enquanto factores de mobilização social e política, não podem deixar de ser considerados para a compreensão da eclosão do movimento revolucionário, assim como do seu desenvolvimento e finalmente do seu fracasso. Neste contexto, os interesses mercantis, em especial aqueles que foram mais atingidos pela conjuntura das invasões francesas e das alterações políticas a que deram azo, constituem um lugar de observação privilegiado para a observação do modo como esses problemas se tornaram propulsores da acção socio-política no espaço luso-brasileiro. Na presente comunicação, pretende-se revisitar esta questão, procurando reunir o contributo da investigação que tem sido realizada mais recentemente em Portugal e no Brasil.