Os Açores e a Revolução de 1820: Aspirações políticas de mudança

Les Açores et la Révolution de 1820. Aspirations politiques au changement

José Guilherme Reis Leite
CITCEM – Universidade do Porto

A historiografia açoriana tem debatido, com desencontrados argumentos, a repercussão dos ideais de 1820 no arquipélago, não havendo por enquanto consenso sobre esta questão. Pretendo abordar os propósitos das elites insulares ao abraçarem as ideias revolucionárias, aproveitando a ocasião para avançarem num caminho de autogoverno e satisfação dos vários interesses políticos e económicos que entendiam desprezados pela política seguida na Capitania-Geral. As revoltas ou “revoluções”, como se tem chamado, que nasceram em Ponta Delgada, Angra e Horta, em 1821, não só estabeleceram governos locais revolucionários, mas sobretudo tornaram possível que cada grupo de ilhas preparasse a sua representação nas Cortes Constituintes através de deputados que defendessem uma nova política administrativa para as ilhas. A discussão das linhas programáticas levou à inscrição na Constituição de 1822 de um novo entendimento de como se inseriam as ilhas no seio da Nação Portuguesa. Contudo, nem todas as sensibilidades estavam representadas pelos cidadãos eleitos. Um grupo de açorianos progressistas, fora das cortes, usando os meios ao seu alcance, trataram de alertar a sociedade portuguesa para um outro programa bem mais audacioso do que aquele que os deputados insulares apresentavam. Defendiam um novo patamar de alto governo para as ilhas, que permitisse aos cidadãos açorianos atingir um grau de maior justiça no usufruto dos ideais de liberdade e de progresso que inspiravam a Revolução de 1820.

Palavras-chave:

Revolução, Açores, Política Administrativa


In what concerns Azorean historiography the impact of 1820’s Liberalism ideology in the archipelago involves a debate which has been conducted on rather conflicting views. For the time being there is no consensus on the issues involved in this matter.On this paper and focused in the local elites eager to embrace the new ideas of the Liberal revolution I intend to make an approach to their purposes and in particular the opportunities to establish a reformed self- government system in order to fulfill political and economic hopes and aspirations that the General-Captaincy proved to be politically unable to accomplish. The so called revolts or “revolutions” that started in Ponta Delgada, Angra and Horta in 1821, not only established revolutionary local governments but above all made it possible that each group of islands had their own representatives for the Constituent Parliament and elected deputies in order to make arrangements concerning a new policy for the administration of the islands. The discussion of a broad policy regarding a new vision on the way islands should be considered in a new perspective for Portugal as a Nation, led to a definition of new principles which were included in the 1822 Constitution. However, not all elected members represented all trends and views regarding the future of the islands. Then a group of independent Azoreans moved by ideas of progress draw the attention of the Portuguese people for an alternative and program, whose principles were by far more ambitious than those presented by the Azores representatives to the Parliament. They were in favor of a new level of a high government for the islands which allowed the Azorean citizens to overcome the existing status and achieving a higher degree of justice fulfillment according the ideals of freedom and progress which inspired the Revolution of 1820.

Keywords:

Revolution, Azores, Policy for the administration