A Madeira e o Vintismo: das cinco vias à Constituição de 1822

Madeira and the Vintismo: from the five ways to the Constitution of 1822

Paulo Miguel Rodrigues
Universidade da Madeira, Faculdade de Artes e Humanidades, Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais

Dando sequência ao vendaval napoleónico no mundo atlântico, o primeiro triénio liberal português (1820-1823) promoveu uma nova realidade política e institucional na Monarquia e no Império, num processo que não foi pacífico. Inaugurou-se assim um período de três décadas durante o qual a sociedade portuguesa viveu um conflito (quase) permanente e multifacetado. A Madeira não escapou a esta realidade e, em parte devido às ocupações e à tomada britânicas de que foi alvo (em 1801 e 1807), nela se desenvolveram propostas de cariz político, defendendo diversas soluções para a integração do arquipélago no novo quadro Atlântico. Foi neste contexto que, após o eclodir do movimento liberal no Reino e da formação da Junta do Supremo Governo, com a permanência (até meados de 1821) da Corte portuguesa no Brasil e perante a hegemonia britânica, se tornou premente resolver a questão madeirense. Assim, numa conjuntura de crescente conflito interno no Reino Unido de Portugal e do Brasil, em caminho acelerado para a sua desintegração, revelaram-se cinco vias para salvaguardar o futuro do arquipélago: uma que defendia a sua união ao Brasil; outra que advogava a integração no Império Britânico; aquela que sugeria o estatuto de protectorado britânico; uma que assumia a independência; por último, aquela que apontava para a adjacência ao Reino de Portugal. A solução encontrada ficaria plasmada na Constituição de 1822. E, na verdade, persistiria até 1976.

Palavras-chave:

Madeira, Adjacência, Constituição, Vintismo, Autonomia, Britânico


Following the napoleonic gale in the atlantic world, the first portuguese liberal triennium (1820-1823) promoted a new political and institutional reality in the Monarchy and Empire, in a process that was not peaceful. This opened a period of three decades during which Portuguese society experienced a (almost) permanent and multifaceted conflict. Madeira has not escaped this reality and partly due to the british occupations and seizure (in 1801 and 1807), some political proposals have been developed in it, advocating various solutions for the integration of the archipelago into the new atlantic framework. It was in this context – after the outbreak of the liberal movement in the Kingdom and the formation of the Supreme Government Board, with the permanence (until mid-1821) of the Portuguese Court in Brazil and under the British hegemony – that it became urgent to resolve the madeiran affair. Thus, at a time of growing internal conflict in the United Kingdom of Portugal and Brazil, then on a fast track to its disintegration, five ways to safeguard the archipelago’s political future were revealed: one that defended its union with Brazil; another that advocated the integration into the British Empire; one that suggested a kind of British protectorate status; another that assumed the independence; and finally, the one that pointed to the adjacency to the Kingdom of Portugal. The solution found would be embodied in the Constitution of 1822. And it would, in fact, persist until 1976.

Keywords:

Madeira, Adjacency, Constitution, Vintismo, Autonomy, British