Representações, memórias e legados da revolução

Coordenação:
Maria Isabel João

ijoao@uab.pt

Universidade Aberta, Departamento de Ciências Sociais e de Gestão
Sérgio Campos Matos

sergiocamposmatos@gmail.com

Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras

 

A Revolução de 1820 deu origem à primeira experiência política liberal em Portugal. Foi um dos acontecimentos fundadores da modernidade política no país. Seria evocado em múltiplos contextos e suportes – comemorativos ou não – da imprensa periódica aos debates parlamentares, passando por obras historiográficas, crónicas, autobiografias, panfletos, sermões, dramas, poesias, e outras obras de carácter literário, sem esquecer as artes plásticas e decorativas. Mas se o conceito de revolução foi pouco usado pelos próprios agentes políticos do vintismo (a par de um mais frequente uso pelos seus oponentes contrarrevolucionários), a primeira revolução liberal não tardaria a ser incorporada na genealogia de outros movimentos revolucionários que se sucederam ao longo do século XIX (1836, 1846, 1851, 1891) e no século seguinte (1910, 1974). Ou a ser invocada pelos contrarrevolucionários e tradicionalistas de diversos matizes num sentido negativo, como fator de “decadência” da nação.

Que memórias e contra memórias se foram construindo do vintismo? Houve debates memoriais em torno do legado desses anos? Que comemorações e festas cívicas o evocaram ao longo dos séculos XIX e XX? Como se inscreveu nas narrativas historiográficas construídas pela posteridade? Que memórias deixou a revolução portuguesa noutras culturas históricas europeias e ibero-americanas, especialmente no Brasil, Espanha, Itália, e França? Estes são alguns dos eixos temáticos que importa considerar no tratamento dos problemas em análise neste painel.