Processo político: revolução e contrarrevolução

Coordenação:
Maria Alexandre Lousada

m.lousada@campus.ul.pt

Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras
Nuno Gonçalo Monteiro

nuno.monteiro@ics.ulisboa.pt

Universidade de Lisboa, Instituto de Ciências Sociais

 

O principal objetivo deste painel é o de descrever e analisar o processo político enquanto sequência de ações e de propostas que vão gerar dinâmicas de mobilização e, finalmente, de polarização política, notoriamente acentuada no caso português na década de 1820. Em larga medida, pode ser descrito como um conjunto de episódios de uma guerra civil intermitente, que abrangeu, em alguns momentos, milhares de intervenientes, de qualquer dos lados. As tensões de um tempo mais longo cruzaram-se com acontecimentos singulares, com as renovadas formas de difusão de opinião e de sociabilidade, com propostas de mudança ou sua enfática rejeição. A disputa política prolongada, nas suas diversas escalas, é uma das maiores novidades e traduz-se na constituição de grupos que se defrontam, com um perfil geográfico, social e institucional não exatamente simétrico.

Procura-se assim que o tema deste painel contribua para aprofundar a pesquisa sobre a preparação, a realização e a participação dos processos eleitorais inaugurados pelo vintismo; os meios de ação política e as formas e mobilização dos liberais e dos contrarrevolucionários; os diferentes espaços de formação da opinião pública. Esta abordagem não pode dispensar a ponderação das estreitas conexões e mimetismos que ligam o processo político em Portugal e no Brasil, com a Espanha, a Ibero-América e outros contextos.