Nação e Império

Coordenação:
Sandra Ataíde Lobo

sandra.lobo@fcsh.unl.pt

Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Cristina Nogueira da Silva

acs@fd.unl.pt

Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Direito

 

O projeto vintista de fundar um Estado Nação pluricontinental, com capital em Lisboa e províncias na Europa, América, África e Ásia, comportou elementos de desigualdade, ocultados pelas ideias da unidade do território e da comum cidadania dos seus habitantes. Conscientes dessas desigualdades, os portugueses da América propuseram alternativas, nas quais outras noções de Pátria e de Nação foram experimentadas, bem como um projeto federal, rejeitado pelos metropolitanos. Estas dissensões estiveram na origem da independência do Brasil, sobrevivendo a esta a conceção de Nação pluricontinental que se negava colonialista porque integrada por cidadãos portugueses livres e iguais, designadamente no direito de representação no Parlamento nacional.

Este painel terá como objetivo conhecer melhor esta conjuntura e as visões sobre o Império e a Nação que nela foram formuladas, bem como o prolongamento, no século subsequente, dos debates e do modelo político que inaugurou. Nesse contexto, procura responder às seguintes questões: Como é que a independência do Brasil foi percecionada pelas elites ultramarinas, europeias, “nativas” e lusodescendentes? Qual foi o papel destas elites na construção da “Nação imperial”, e que outras alternativas se formularam? Quem foram os deputados ultramarinos, que relevância tiveram, que interesses representaram? Quais as tensões geradas pela ideia de igualdade dos territórios e populações, quando confrontada com a diversidade étnica, cultural e religiosa, com a permanência de estatutos jurídicos e condições sociais subalternizantes (escravo, liberto, serviçal) ou com a sub-representação política. Quem eram, afinal, os “cidadãos portugueses”? Era pensável uma Nação “multicultural” ou “plurirreligiosa”? De que modo o discurso liberal sobre a cidadania e os direitos foi construído, ou apropriado, pelas populações locais do Império?