Linguagem, imprensa e opinião pública

Coordenação:
Fátima Sá e Melo Ferreira

fatima.sa@iscte-iul.pt

ISCTE-IUL – Instituto Universitário de Lisboa, Departamento de História
Telmo Verdelho

tverdelho@dlc.ua.pt

Universidade de Aveiro, Departamento de Línguas e Culturas

 

A Revolução Liberal de 1820 reconfigurou o convívio e promoveu a comunicação no espaço público português; estimulou a “opinião pública” e repercutiu-se na língua literária e quotidiana. Em síntese, podem assinalar-se os seguintes vetores de mudança que este painel visa aprofundar:

• O alargamento do espaço de circulação da palavra pública, especialmente pelo aumento extraordinário da imprensa periódica e pela emergência duma assembleia parlamentar e de clubes, associações e outros grémios motivados por interesses profissionais e ideológicos;

• A reinvenção do discurso político na oratória profana, que se vai diferenciando da oratória sacra, desenvolvendo-se o confronto ideológico e a teorização doutrinária pedagógica com incremento da polémica e da conflitualidade discursiva;

• A circulação de palavras novas ou com novos significados e a promoção da transformação vocabular que responde, por um lado, às solicitações expressivas da mudança política e, por outro, induz essas mudanças de forma performativa;

• A intensificação e valorização do convívio interlinguístico e a interação com as grandes línguas europeias, especialmente o francês, e desvalorização do ensino do latim, aumentando a publicação de traduções e a transfusão de estrangeirismos;

• A constituição de novos paradigmas estilístico-literários com recriação dos géneros e as formas literárias dando início a um prolongado processo de democratização da língua, da escrita e da leitura.