Ideologias e correntes de pensamento político

Coordenação:
Ana Cristina Araújo

araujo.anacris@sapo.pt

Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras
Luís Reis Torgal

lreistorgal@gmail.com

Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras

 

A revolução de 1820 imprimiu uma visão redentora à atividade política. Os liberais que fizeram a Revolução eram portadores de ideais revolucionários confirmados e rechaçados pela experiência histórica de outros povos e nações. A memória da geração que ideou a Revolução de 1820 somou e subtraiu sucessos, averbou triunfos, avivou valores e procurou afastar-se dos excessos revolucionários experimentados em França e Espanha.

O triénio vintista também não se construiu sem a memória politizada e ficcionada da história pátria que os liberais procuraram compatibilizar com o conjunto de acontecimentos e processos que, de distintas maneiras, afetaram a sociedade civil e marcaram a participação dos cidadãos, sociedades patrióticas e associações portadoras de diversas sensibilidades políticas e correntes ideológicas.

A ideia de revolução e as ideias que fizeram e comprometeram a Revolução de 1820 constituem os objetivos centrais deste painel. Nele cabem os discursos, os autores e os textos doutrinais, nacionais e estrangeiros, que pontuaram o debate político. A natureza conflitual das narrativas construídas na época sobre o processo político e o efeito da retórica parlamentar na modelação ideológica da opinião pública. Não se pretende conferir aos discursos parlamentares e aos textos doutrinários, liberais, conservadores e contrarrevolucionários, um carácter autosuficiente, mas contextualizar os usos dos discursos, os motivos de dissidência ideológica, as estratégias retóricas, as correntes políticas e os efeitos históricos do combate ideológico suscitado pela Revolução.