Economia e finanças públicas

Coordenação:
José Luís Cardoso

jcardoso@ics.ulisboa.pt

Universidade de Lisboa, Instituto de Ciências Sociais
Jorge Pedreira

jorge.pedreira@netcabo.pt

Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

 

Existirá uma explicação de natureza económica para a Revolução de 1820? Quais foram as consequências económicas das guerras napoleónicas, dos tratados de comércio com a Grã-Bretanha e, principalmente, da perda do exclusivo colonial na sequência da retirada da corte para o Brasil? Existirá uma delimitação económica da base social de apoio à revolução? Qual a situação e o peso relativo dos diversos sectores da economia portuguesa nas vésperas da revolução? Quem eram e como se comportaram os agentes e as instituições com competências e responsabilidades na dinamização da vida económica após 1820? Estas são algumas das perguntas cruciais para uma adequada compreensão da conjuntura económica e dos problemas de ordem estrutural que, apesar de aflorados de forma repetida e convencional na explicação das causas e efeitos da revolução de 1820, ainda carecem de fundamentação histórica e estatística.

Igualmente importante é a análise da situação financeira do Estado, da estrutura de despesas e receitas, da pressão e opressão fiscais, dos problemas de gestão da dívida interna e externa, da emissão de apólices e de moeda, das atividades creditícias, antes e depois de 1820.

Na discussão destes temas de âmbito económico e financeiro, registou-se uma intensificação do debate na esfera pública (sobretudo através da Câmara de Deputados, da imprensa periódica e das petições e declarações de interesse de comissões e agentes económicos organizados) em que é patente um processo de difusão e apropriação de ideias económicas com implicações na definição e execução de políticas concretas cujos objetivos e fundamentos importa conhecer melhor.