Cultura e redes políticas de exílio

Coordenação:
Grégoire Bron

gregoire.bron@gmail.com

École Pratique des Hautes Études, SAPRAT
Gladys Ribeiro

gladysribeiro@historia.uff.br

Universidade Federal Fluminense, Instituto de História

 

A Revolução de 1820 e o processo de Independência brasileira – que culminou com a Carta Constitucional de 1824 e o tratado de 1825 – inserem-se nas revoluções atlânticas do início do século XIX. Desembocam em questões pouco estudadas e relacionadas com as histórias dos exílios. Em Portugal, a Revolução permitiu o regresso dos exilados que o governo absolutista havia expatriado. Em seu epílogo, acabou por provocar no Brasil a partida voluntária ou involuntária dos mais irredutíveis partidários do Antigo Regime. Por sua vez, em Portugal, os conflitos do final do período revolucionário e o regresso do absolutismo desencadearam uma nova onda de exílio de liberais, importante tanto para o desfecho ulterior das lutas em solo português quanto para os rumos do governo brasileiro, no final da década de 1820.

Embora os estudos sobre exilados italianos, espanhóis, franceses ou hispano-americanos, no império luso-brasileiro do início do Oitocentos se tenham multiplicado nos últimos anos, a historiografia recente analisou o fenómeno da e(i)migração apenas marginalmente do ponto de político. Partindo da atual tendência historiográfica que considera o exílio como uma das principais testemunhas da expansão e afirmação do liberalismo, o objetivo deste painel é tratar da dimensão transnacional da emigração política, anterior e posterior ao triénio vintista, trazendo novas perspetivas para as polarizações que se deram em ambos lados do Atlântico.